domingo, 8 de julho de 2012

Pré-Formação até D. Afonso Henriques

"... Henrique, dizem que segundo
Filho de um rei de Hungria experimentado,
Portugal houve em sorte, que no mundo
Então não era ilustre nem prezado
E para mais sinal de amor profundo
Quis o rei castelhano que casado
Com Teresa sua filha o conde fosse
E com ela duas terras tomou posse"
        (Lus. III, 25.) 



A História política e territorial de portugal começa definitivamente com Fernando I, o Magno ou Fernando, o Magno (1036 - 65) que dividiu o territórios da Península Ibérica pelos três filhos que teve. Um ficou com Castela, a parte mais oriental, outro Leão a parte central e um outro Galiza com a parte mais ocidental. Galiza, subsequentemente, devido às invasões dos Almorávidas e Almóadas (Invasões Muçulmanas) seria um ponto fraco em todo o Império de Leão, o qual reinou depois de Fernando Magno, Afonso VI e Afonso VII. Galiza necessitava portanto de um apoio largo na sua parte sul (a parte sul pertence hoje, territorialmente ao Norte Português), e para protecção e defesa militar pediu-se a ajuda do Conde D. Henrique, oferecendo-se a este cabo de guerra francês um condado, o chamado Condado Portucalense. O Conde D. Henrique morre em 1112, sucedendo-se como Condessa/Rainha a sua mulher, a Rainha Dona Teresa que de 1117 (altura em que começa a assinar como Rainha os documentos que subscreve) a 1128 tem uma politica de expansão do território, de conquista da parte da Galiza pertencendo a sua irmã, a Dona Urraca e o marido D. Raimundo. Mal sucedida, quem sucede no trono de Leão para ser imperador mais que Rei é o filho deste ultimo casal, o Afonso Raimundes (primo de Afonso Henriques) que se tornará o Imperador Afonso VII. Em 1128 uma nobreza secundária apoia as pretensões de D. Afonso Henriques de tirar sua mãe do trono, e é bem sucedido na Batalha de S. Mamede. A política de reconquista sofre um revés. Nos primeiros (1128 a 1139) Afonso Henriques ainda tenta a anexação da parte da Galiza, portanto uma conquista para Norte. Só depois da Razia de Ourique (Razia porque foi uma batalha muito curta e uma vitoria garantida) é que Afonso Henriques passa a Rei (súbdito de seu primo, o Imperador Afonso VII) e inicia uma política de reconquista para Sul. Em vida chegou até Évora (1169), passando por Lisboa e Santarém (1147) e de uma rápida campanha em Leiria (1135). Foi um bom cabo de guerra militar, e assentou o seu "quartel" mais do que corte (mas também a corte) principalmente em Coimbra, que já tinha foral desde 1111, concedido pelo seu pai, o Conde D. Henrique. D. Afonso Henriques cujo nascimento data de 1109 viveu mais de setenta anos (impressionante para a época), morrendo apenas em 1185, altura em que a empresa da reconquista estava em crise, pois a parte Sul (Evora, Alentejo, Algarves, etc) estava imensamente fortificada, ou seja os Muçulmanos tinham um controlo total sobre estas terras. A D. Afonso Henriques sucedeu seu filho, D. Sancho I, que a história conta, infelizmente, como não estando à altura do seu pai em perceber que a fasquia era, puro e simplesmente, demasiado alta para atingir.


" Ficava o filho em tenra mocidade,
Em quem o pai deixava seu traslado
Que do mundo os mais fortes igualava
Que de tal pai tal filho se esperava"
             (Lus. III, 28)

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