quarta-feira, 4 de julho de 2012

Dos Filipes à Restauração

Provavelmente um período que ainda necessita de um estudo aprofundado, tirando as teses sobre a Modernidade e as Biografias dos três réis desta dinastia. O Reinado de Filipe II de Castela ou Filipe I de Portugal inicia-se em 1580 depois da morte do Cardeal-Rei D. Henrique e da expulsão de D. António (que viria a morrer em Paris anos mais tarde). A historiografia tradicional dá-nos uma visão muito pessimista da dinastia filipina, afirmando categoricamente que a perda da riqueza mundial de Portugal advinha da anexação das receitas para o governo espanhol e a frustração dos portugueses ansiosos pela independência verídica foram as razões que levaram à Restauração. A verdade não podia estar mais longe disto. De facto, e em primeiro lugar, viveu-se um tempo em que as receitas da prata espanhola equilibraram a balança ibérica, e como é óbvio também beneficiaram Portugal, as lutas no Crescente Fértil e em Marrocos foram saudadas por tropas portuguesas e espanholas e as populações (elites e Terceiro Estado) na sua maioria, apesar do saudosismo, não levantaram o sobrolho aos réis espanhóis. O que de facto perdemos foi algumas possessões (como Ormuz em 1622 e Baía em 1624, além de nos terem tomado Pernambuco em 1630 e S. Jorge da Mina em 1637) e a grande queixa das populações era a ausência do Rei, isto é o Reino estava viúvo e certos validos, como o Conde de Olivares, governavam Portugal como se de uma província se tratasse. No dia 1 de Dezembro de 1640 aplaudisse D. João, Duque de Bragança e neto de Dona Catarina (bisneto do infante D. Duarte, este ultimo filho de D. Manuel I), como Rei de Portugal, no Terreiro do Paço. Assassina-se Miguel de Vasconcelos, secretário do governo, e não obstante, houve gente que não olhou com bons olhos a restauração efectiva do poder. O próprio Duque de Olivares iria responder aquando da noticia da Restauração nestes termos: "deve ser mais uma revolta de inverno...". A campanha do Montijo ou Batalha do Montijo ganha em 1644 seria,de facto, (e só 4 anos depois da restauração) talvez a principal batalha da reviravolta para a independência efectiva. Mas D. João IV teve longe de ser um Rei amado. Não conseguiu, durante os 16 anos em que teve no poder, controlar as politicas de corte (ou seja agradar às classes dominantes), teve problemas com o Clero, e foi um Rei sem energia nem pro-actividade, caindo no marasmo da "coroa pela coroa", ou seja, apesar da independência, parecia que não sabíamos governar. E provavelmente até chegar o Rei-Mecenas D. João V e o seu sucessor D. José I (com um valido muito famoso) não posso considerar que estejamos a viver em Portugal um Estado Moderno. Mas ainda hoje a Restauração continua a ser o nosso ultimo grito de independência face às sucessivas tentativas da Espanha para aglutinação e anexação do nosso território, o que já por si nos diz que apesar de proximidades linguísticas, não existe possibilidade de fusão cultural.

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