"Inclita geração, altos infantes"
(Lus. IV, 50)
Uma pergunta surge no enredo das leituras. O que afinal foi a Crise de 1383-85? Foi, antes de mais, uma crise de sucessão, onde se procurou um Rei através de vários intervenientes políticos, da parte de Portugal e Espanha. Portugal não tinha um rei legítimo, e o único que se propunha ao trono era um filho bastardo do Rei D. Pedro, João, o Mestre de Avis. Este João fora iniciado na Ordem de Avis aquando muito novo, adquiriu cultura, consciência dos problemas do Reino e obediência perante as leis de armas e as ordenações. Com lei de armas queremos dizer a necessidade bélica que se criou durante a Primeira Dinastia. Mas nestes dois anos surgiu um concorrente exterior forte, Castela que pretendia aglutinar o país, anexando-o territorialmente. Não se pode dizer efectivamente que toda a gente renegasse esta ideia, muitos apoiaram-na, dentro e fora do Reino. D. João I foi escolhido Rei pelo Povo, para manter a independência e autonomia territorial e administrativa do Reino, mas para tal efeito teve que que vencer as improtantes confrontações bélicas. Concretizou-se então a vitória na Batalha de Aljubarrota (não esquecer também do mesmo tempo Valverde e Trancoso). Depois de um apoio popular tremendo e de ter convencido as elites eclesiásticas do seu poder e eficácia governativa esqueceu-se momentaneamente a questão da sua legitimidade e partiu-se para novas perspectivas. Já não havia mais nada a explorar territorialmente dentro do Reino, portanto em 1415 partiu-se à descoberta do Grande Largo Atlântico com a conquista de Ceuta, importante ponto estratégico do início das conquistas no Império Muçulmano e dos Descobrimentos Portugueses por terras de África, Ásia e América. Apesar de Ceuta não dar um lucro sólido, a indústria naval e bélica portuguesa cresceu enormemente e, por sua vez, criou-se uma cultura marítima tão própria do nosso país. Até 1433 permaneceu um Rei amado por todas as classes sociais e conhecido como o grande salvador da independência portuguesa. Sucedeu-lhe um filho que apesar de brilhante de mente não tinha tantas pretensões como Rei Conquistador e Descobridor, apesar da sua cultura extraordinária, este foi D. Duarte (1433 - 1438). De 1438 até 1481 temos o reinado de D. Afonso V, rico em novas descobertas como no reinado de seu pai e avô, no entanto muito pobre a nivel político, sendo de salientar a crise de Alfarrobeira com o regente D. Pedro, seu tio. Outro regente se ergueria no final da governo dos destinos de Portugal, também ele chamado João e futuro rei D. João II (1481-1495). D. João II e D. Manuel I são reis importantíssimos na política expansionista, colonialista, de descoberta e de conquista, mas também de manutenção dos interesses económicos e dinâmica social do Reino e da política Imperial. É nos seus reinados que se descobre o caminho marítimo para a Índia e o Brasil, que sustentarão basicamente a economia portuguesa e que muito contribuirão para a balança europeia, em particular em Seiscentos e Setecentos.
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