Se D. João II abriu caminho para uma política imperial, é igualmente correcto designar como universalista o seu reinado e globais as directrizes do seu reinado, por três motivos: 1. Acolheu na sua corte só maiores intelectuais da época (estrangeiros e nacionais) 2. Acreditava que os estudos poderiam e deveriam ajudar a formar Homens que, por fim, ajudariam a consubstanciar as técnicas de centralização do Império que começava a construir (náutica, engenharias, medicina, matemática, etc) 3. Começou, verdadeiramente, uma política de centralização estatal através de uma política de Estado aquém e além fronteiras, e apesar de não se registar significativas descobertas durante o seu reinado transformou o molde e a mentalidade colocando a Nação Portuguesa nos desígnios do mundo. quem beneficiou de todas estas inovações (sejam técnicas, teóricas ou culturais) foi D. Manuel I (1495-1521) e no sue reinado regista-se um retrocesso mas também um factor muito positivo. O retrocesso prende-se com a expulsão e conversão forçada dos judeus em 1496, que, no fundo, foi a expulsão de alguns dos maiores cérebros do país, mas foi também um atentado à individualidade espiritual dado que, com o baptismo forçado, centenas de judeus passaram à designação de Cristãos-Novos,uma descriminação perante os Cristãos-Velhos que só seria colmatada com o Édito de 1773 do Marquês de Pombal no, ainda longínquo, reinado de D. José I (1750-1777). Tal Édito, que falaremos posteriormente, proíbe diferenciação entre sangue cristão, mas esta diferenciação manteria-se durante o Séc. XVI e agravar-se-ia com a Inquisição (introduzida por D. João III). O ponto positivo do reinado de D. Manuel foi a descoberta do caminho marítimo para a Índia (1498) e a descoberta do Brasil (1500), por Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral, respectivamente. E se de um lado viriam as receitas provenientes das especiarias, por outro surgiria mais tarde a fortuna portuguesa proveniente do ouro brasileiro (e até a salvação da independência), apesar do interesse confluente britânico e do posterior Tratado de Methuen (1703). Quando D. Manuel I morre em 1521 deixa o país rico e com um quase total controlo sobre o Império. O rei que o sucede, D. João III (1521 - 1557) terá duas políticas que devemos fazer referência: a primeira a importação e instauração do Tribunal da Santa Sé ou Inquisição em 1536, que será o culminar do ódio aos Cristãos-Novos e o desabrochar da mais terrível fase da história da igreja em Portugal (perseguições, execuções, tortura, autos-de-fé), a segunda política está relacionado com a fixação da Universidade permanentemente em Coimbra, que foi um bom ponto de partida para a formação das mentalidades do seu reinado, que por sua vez carecia de um governo forte, disciplinado e inteligente e de mentes bem formadas pro detrás dos seus desígnios. Em virtude da sua morte em 1557 o destino do reino passou para as mãos de um menino de três anos chamado Sebastião. Devido à idade menor, a regência foi entregue primeiro à sua avó, a Rainha Catarina de Áustria e depois ao tio-avô o Cardeal D. Henrique. Mas ao atingir a maioridade, 13/14 anos na altura, D. Sebastião, pleno de poderes régios agora, tomou entre 1576/77 uma decisão que viria a mudar por sessenta anos a História de Portugal. Engendrou uma guerra contra Marrocos, uma cruzada cristã do mais alto nível, conhecida como a Batalha de Alcácer Quibir (1578), onde morreu e seu corpo nunca mais foi recuperado (dando origem à corrente literária sebastianismo). O país cai numa crise política sem paralelo, pois não havia sucessores directos (nem filhos legítimos, nem bastardos), reinando o velho Rei-Cardeal D. Henrique durante aproximadamente 2 anos (1578-1580). Havia três candidatos ao trono, o sobrinho D. António, D. Filipe de Espanha ou D. Catarina. Quem acabou por suceder foi D. Filipe, transformando Portugal, com uma apoio até massivo, numa monarquia dual, ou seja a Coroa agora era num único rei sobre dois países (Portugal e Espanha) e tal situação verificou-se durante sessenta anos.